terça-feira, 5 de agosto de 2014

Poéticas Facebookianas

Para começar, reuni alguns dos meus pequenos textos já publicados no facebook. Selecionei, claro, os que considero apresentáveis ou aqueles mais representativos, talvez os mais curtidos (rs.).

Mudar... de um canto para outro dos vértices de um triângulo. Mudar de ritmo, dançar "fora do tempo" da música, outra música, silêncio. De vida, de opinião, de mundo, novo planeta, este está lugar comum. Mudar a cabeça, a direção do movimento, refluxo. Quero mexer no sistema, no modus operandi, ser expulso. Mudar de alma, de casa, de roupa, de signo, sagitarianos são muito inquietos. Mudar... de ponta à cabeça, revirar ao avesso, 180 graus, sou de lua. Vou parar de andar e libertar minhas asas.
Hugo Menezes Neto. 19/02/2014

Em mim, uma parte é vida confinada, a outra é brisa. Vozes espremidas pedem licença para passar, de um lado. Do outro, um silêncio rebelde, liberdade somente e um tanto de sal para acentuar o sabor. Eu, ora tão cheio, ora sopro de nada, anjo, demônio, tudo ao mesmo tempo agora. 
– Vizinho, aceita uma xícara de sal? Abrirei as janelas para lhe ouvir melhor. Acho pouco, abrirei também portas, portais para outras dimensões e o que mais for preciso. 
Chega de luz entre as frestas, me descubro claustrofóbico crônico e avesso à comida insossa. 
Hugo Menezes Neto. 03/02/2014

Rouba-me e voa, qual cinza de cigarro desgarrada perdida no escuro. Na espreita, espera a boca reacender pedaços de si separados pela condição inevitável de ser cinza. Suspirar invertido é expulsar pássaros presos, ou demônios. Para cada inspiração libertária expirações descontroladas, e sonhos se fazem fumaça. Sinto abstinência da nicotina, da boca ou do fogo, ou de tudo. Querer tudo é intenso, arrogante e pesado, um fardo, mas, é real como o desejo do próximo cigarro. Rouba-me e voa, leva um pedaço de mim antes do fim, antes de me tornar um careta qualquer.
Hugo Menezes Neto. 19/01/2014



Preso pelos autônomos fios dos meus pensamentos... Conivente com minhas loucuras, cúmplice dos meus delírios, arredio com meus temores. Eu e eles, e outros tantos amores, inevitáveis, indispensáveis, impraticáveis. Queria ser livre, dono, neles "mandar e desmandar”, desgovernar, desamar para amar mais e melhor. Queria com as minhas mãos emaranhar os fios, tecer uma rede, balançar, suspirar para não pensar e torpe enfim sossegar... 
Hugo Menezes. 27/04/2012

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